No original Italiano:
“Chi, io?”
Il giorno del Giudizio Universale, Dio chiamò a sé tutti gli uomini del mondo, con le rispettive consorti. Chiamò l’Inglese e l’Inglese rispose:
“Eccomi!”
Chiamò il Cinese e il Cinese rispose:
“Sono qui!”
Uno dopo l’altro, Dio chiamò il Russo, il Francese, il Greco, l’Americano, il Giapponese, il Polacco, il Finlandese, l’Arabo, l’Australiano, il Turco, l’Indiano, il Nigeriano, il Marocchino, il Sudafricano nero e il Sudafricano bianco, il Portoghese, l’Israeliano e tutti, nella loro lingua, risposero:
“Presente!”
Di ognuno, Dio esaminò le virtù e i vizi e mandò tutti in Purgatorio: perchè nessuno meritava il Paradiso, e nessuno era abbastanza malvagio per trascorrere l’eternità in un posto sgradevole come l’Inferno. Poi Dio chiamò l’Italiano, ma non ebbe risposta. “Cosa può essergli successo, – si chiese, - perchè l’Italiano sia assente?” Tornò a chiamarlo. Allora l’Italiano, vedendo che tutti si erano voltati verso di lui e lo stavano guardando, spalancò gli occhi e si mise una mano sul petto. Domandò:
“Chi, io?”
(Sebastiano Vassalli – L’Italiano)
Em Português:
“Quem, eu?”
No dia do Juízo Universal, Deus chamou a Sua presença todos os homens do mundo, com as respectivas esposas. Chamou o Inglês e o Inglês respondeu:
“Cá estou!”
Chamou o Chinês e o Chinês respondeu:
“Aqui!”
Um depois do outro, Deus chamou o Russo, o Francês, o Grego, o Americano, o Japonês, o Polonês, o Finlandês, o Árabe, o Australiano, o Turco, o Indiano, o Nigeriano, o Marroquino, o Sul-africano negro e o Sul-africano branco, o Português, o Israelita e todos, em sua língua, responderam:
“Presente!”
De cada um, Deus examinou as virtudes e os vícios e mandou todos ao Purgatório: porque nenhum merecia o Paraíso, e nenhum era mau o bastante para passar a eternidade em um lugar desagradável como o Inferno. Depois Deus chamou o Italiano, mas não obteve resposta. “O que pode ter-lhe acontecido, - perguntou-Se, - por que o Italiano estaria ausente?” Tornou a chamá-lo. Então, o Italiano, vendo que todos se voltavam para ele e o observavam, arregalou os olhos e colocou uma mão sobre o peito. Perguntou:
“Quem, eu?”
(Tradução: Paulo Chagas Dalcheco)
Arquivo pretensiosinho
sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Fui me lavar em teu sangue. Mas eu queria ser pior. Não pegar depois de abater. Nem pra comer. Nem pra beber. Nem pra foder. Nem pra lavar. Queria deixar sujo. Sujismundo. Carcaça de podre sem vida. Cruel. Não honrar nem costa larga. Não honrar nada. Não saber da culpa. Carcaça sem culpa. Ganidos de joelhos. Morte sem som.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Casualidade
O sujeito virou pra mim e disse que me compreendia, que sabia dos meus motivos e que os aceitava. Eu duvidei, e isso não foi uma mudança em meu caráter. Nem no dele. Impossível mudar um caráter assim. Claro que os caráteres mudam, já superamos isso, mas não assim. Acho mesmo que tudo era uma caótica competição de egos e um exercício tolo de dissimulação. Pelo menos de minha parte, os sentidos estavam à flor da pele e eu explodiria, não fosse minha exímia capacidade de não fazer nada e manter um sorriso amarelo. Calei. Observei. Vi que não era bem isso e que eu poderia estar levando as coisas muito a ferro e a fogo. Sorri ainda um pouco. Olho no olho, mas ele logo desviou. Tive então certeza. Ele não compreendia sequer o frenético movimento dos meus dedos da mão, quanto mais a minha intimidade - desafio enorme. Ele não sabia quem eu era e eu não queria saber quem era ele. E mudamos, sim, depois daquele momento. Mas se trata daquela mudança inevitável que o correr do tempo acarreta. Não há um ponto, nem de interrogação nem de exclamação, entre o antes e o depois. Nem reticências. Eu e ele. Espaço de menos. Nada epifânico, nem especial. O tempo que passamos juntos, algumas horas ou segundos. Não sei. Não houve propósito, nem antipatia. Da contradição do ódio passei para a completa ignorância.
Você conhece o sujeito? Sabe do que estou falando?
Você conhece o sujeito? Sabe do que estou falando?
sábado, 3 de abril de 2010
Parágrafo
Terminado o banho, o centro de toda minha atenção é meu pinto. Mas isso não é novidade pra ninguém, então penso que devo terminar de escrever aquele parágrafo importante. Aí molho a casa inteira à procura da toalha que larguei não sei bem onde. É tudo uma desculpa pra não tentar nada de novo. Escrever. Dormir. Cagar. Comer. Levantar. Não necessariamente nessa ordem. Acho, inclusive, que já pensei a respeito disso antes. Encontro o lápis embaixo da cama, o caderno todo borrado.
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