nenhum pensamento de ódio
desconfiança de todo amor
sem opções melhores
respiro o ar que não é
tão bom assim
o mundo sou eu
e talvez
Arquivo pretensiosinho
sábado, 29 de agosto de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Tombo
sento
sobre a rocha
em movimento
treinado pela falta
de pretensão
sento como sento todo dia
numa rocha
entre as rochas
da baía
então entrego
os ouvidos ao chamado de Iemanjá
ao mar que rebenta
infiltra as conchas
diluído em muito mar
e os olhos são da ilha
que não tem por onde escapar
e detrás o Morro do Saco do Major
que aponta em península
para a linha perfeita que seguem olhos
pequenos que não reparam
na curva assustadoramente
tranqüila
a verdade
está cortada
na enorme
rocha
pela lâmina da espada
de algum titã caiçara
que por ali passava
quando soprava outro vento
em outros cabelos
e repousava
de repente quieta
a minúscula certeza
de sentir às costas
a aspereza acolhedora
das cicatrizes irrevogáveis
deito como deito em minha cama
sobre a rocha
em movimento
treinado pela falta
de pretensão
sento como sento todo dia
numa rocha
entre as rochas
da baía
então entrego
os ouvidos ao chamado de Iemanjá
ao mar que rebenta
infiltra as conchas
diluído em muito mar
e os olhos são da ilha
que não tem por onde escapar
e detrás o Morro do Saco do Major
que aponta em península
para a linha perfeita que seguem olhos
pequenos que não reparam
na curva assustadoramente
tranqüila
a verdade
está cortada
na enorme
rocha
pela lâmina da espada
de algum titã caiçara
que por ali passava
quando soprava outro vento
em outros cabelos
e repousava
de repente quieta
a minúscula certeza
de sentir às costas
a aspereza acolhedora
das cicatrizes irrevogáveis
deito como deito em minha cama
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O nome na parede
pela manutenção
da embriaguez
um poema
pende
para um lado
e para a esquerda
entre o zíper
entreaberto
após alívio
sentimental
numa bela
duma mijada:
paul,
da embriaguez
um poema
pende
para um lado
e para a esquerda
entre o zíper
entreaberto
após alívio
sentimental
numa bela
duma mijada:
paul,
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Bom dia!
o que mais seria
senão a gota
que cai da boca
da folha mais rasteira
daquela praça sitiada
pela manhã urbana
bem na testa do indigente?
senão a gota
que cai da boca
da folha mais rasteira
daquela praça sitiada
pela manhã urbana
bem na testa do indigente?
Sem título
meu bonde é o subjetivo
e meu objetivo são as nuvens
mas quando chove,
a multidão afogada
fede que é o demônio!
e meu objetivo são as nuvens
mas quando chove,
a multidão afogada
fede que é o demônio!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Escarro
um escarro
novamente um escarro
em forma indecente
de escárnio
na calçada
o mesmo canto de calçada
e as mãos
que abraçam o bolso
como quem
já não tem
troco
bem pouco
um tanto farto de um pouco
o gosto
mastigado
com desgosto
como fosse
o último
escarro que vem
à boca atendendo
ao murmúrio odioso
do mesmo retângulo de calçada
novamente um escarro
em forma indecente
de escárnio
na calçada
o mesmo canto de calçada
e as mãos
que abraçam o bolso
como quem
já não tem
troco
bem pouco
um tanto farto de um pouco
o gosto
mastigado
com desgosto
como fosse
o último
escarro que vem
à boca atendendo
ao murmúrio odioso
do mesmo retângulo de calçada
Reverência
desce
o primeiro pé
direito
salto de lustre
se apresenta
o mistério
em trejeitos
refinados
uma educação impecável
pisa o segundo
esmagando as suspeitas
sinistras
sei que há
algo ainda mais leve
sob as saias
e as mãos suavemente
ocupadas
com um lenço muito grande
se unem em uma prece
que lhe cai bem
sobre o nobre semblante
o carro arranca
dou um passo
e faço reverência
o primeiro pé
direito
salto de lustre
se apresenta
o mistério
em trejeitos
refinados
uma educação impecável
pisa o segundo
esmagando as suspeitas
sinistras
sei que há
algo ainda mais leve
sob as saias
e as mãos suavemente
ocupadas
com um lenço muito grande
se unem em uma prece
que lhe cai bem
sobre o nobre semblante
o carro arranca
dou um passo
e faço reverência
sábado, 22 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Lembrança
de repente um canto
onde os olhos
se lançam
sem intenção
ou expectativa
sem contraste
de imagem nenhuma
um perfume
de lembrança
impregna
então
é possível ver
a lança
que desponta
do portão
da vizinha
na barriga
de frio
a fuça sangra
enquanto as púpilas
esvaecidas
farejam o salmão
de uma cortina
onde os olhos
se lançam
sem intenção
ou expectativa
sem contraste
de imagem nenhuma
um perfume
de lembrança
impregna
então
é possível ver
a lança
que desponta
do portão
da vizinha
na barriga
de frio
a fuça sangra
enquanto as púpilas
esvaecidas
farejam o salmão
de uma cortina
Melodia
a cabeça
e a oitava
a terça
e a quinta
meio tom
de gravidade
que pulsa
em quarta
gravidade
e meio tom
em quarta
a cabeça
e um tom
atrás
a cabeça
e a oitava
a terça
e a quinta
e assim
o tempo passa
e a oitava
a terça
e a quinta
meio tom
de gravidade
que pulsa
em quarta
gravidade
e meio tom
em quarta
a cabeça
e um tom
atrás
a cabeça
e a oitava
a terça
e a quinta
e assim
o tempo passa
A sombra do vento
pela tarde horrível
caminham os pensamentos
à minha frente
e bem conheço
esta silhueta
que nunca vi
em tão adiantado
flanco
pernas imensas
tronco esguio
cabeça baixa
de sexta-feira
(queria ver o rosto
mas então
não seria mais
novidade)
o chuvisco
impertinente
desta tarde
que sopra
e empurra
o topo da nuca
com seus dedos
sarcásticos
e eles riem, riem
enquanto apontam
do panteão
o anúncio troveja:
é bem mais fácil!
ambrosia!
avoé, Baco!
hahaha!
para todos os que conseguirem
num golpe de vista
desvendar
o gosto amargo
da sangria apressada
que lateja nos membros
resignados
do homem desajeitado
dobrando a esquina
caminham os pensamentos
à minha frente
e bem conheço
esta silhueta
que nunca vi
em tão adiantado
flanco
pernas imensas
tronco esguio
cabeça baixa
de sexta-feira
(queria ver o rosto
mas então
não seria mais
novidade)
o chuvisco
impertinente
desta tarde
que sopra
e empurra
o topo da nuca
com seus dedos
sarcásticos
e eles riem, riem
enquanto apontam
do panteão
o anúncio troveja:
é bem mais fácil!
ambrosia!
avoé, Baco!
hahaha!
para todos os que conseguirem
num golpe de vista
desvendar
o gosto amargo
da sangria apressada
que lateja nos membros
resignados
do homem desajeitado
dobrando a esquina
Resignado
me lembro
muito bem
das coisas
que andei
esquecendo
e é assim
que me importo tanto
em não ligar
pra muita coisa
sonhos etílicos
acordam hematomas
muito bem
das coisas
que andei
esquecendo
e é assim
que me importo tanto
em não ligar
pra muita coisa
sonhos etílicos
acordam hematomas
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
À neve
não conheço a neve
que cai calada
nem a tempestade branca
que cega o próximo palmo
na minha terra
só há chuva e granizo
que escancaram
portas e janelas
afogam o telhado
tão logo amortece
o amargo e me abro
em sorrisos
(e pra quê chorar
se o sal de uma gota
não derrete neve crua?
e pra quê nadar
se o leito fervente
desemboca no meio da rua?)
as águas
aqui não congelam
nem com o sopro
tremulante desse olhar
é o efeito do trópico
porque água sólida
é só pedra que cai do céu
no capô do carro
no guarda-chuva quebrado
na testa desprotegida
que o peito tosse, tosse
e escarra
em melodramática
pneumonia
que cai calada
nem a tempestade branca
que cega o próximo palmo
na minha terra
só há chuva e granizo
que escancaram
portas e janelas
afogam o telhado
tão logo amortece
o amargo e me abro
em sorrisos
(e pra quê chorar
se o sal de uma gota
não derrete neve crua?
e pra quê nadar
se o leito fervente
desemboca no meio da rua?)
as águas
aqui não congelam
nem com o sopro
tremulante desse olhar
é o efeito do trópico
porque água sólida
é só pedra que cai do céu
no capô do carro
no guarda-chuva quebrado
na testa desprotegida
que o peito tosse, tosse
e escarra
em melodramática
pneumonia
terça-feira, 18 de agosto de 2009
O troféu
enquanto eu ébrio
andar cabisbaixo
sob a cortina
dos salgueiros
e num suspiro
ridículo
esquecido de quantos
tapas de vento
são necessários
para derrubar uma rosa
de seu pedestal
tomar à mão
ensangüentado botão
e fizer menção
de sentir saudade
que me mostres o perdão
o fio brilhante
gélido, cético
em um beijo de língua
que desfia e desgarra
a minha garganta
e pendures pras moscas
minha cabeça
enquanto gozas ao vestir
o meu couro tratado
com aroma
de pétalas
andar cabisbaixo
sob a cortina
dos salgueiros
e num suspiro
ridículo
esquecido de quantos
tapas de vento
são necessários
para derrubar uma rosa
de seu pedestal
tomar à mão
ensangüentado botão
e fizer menção
de sentir saudade
que me mostres o perdão
o fio brilhante
gélido, cético
em um beijo de língua
que desfia e desgarra
a minha garganta
e pendures pras moscas
minha cabeça
enquanto gozas ao vestir
o meu couro tratado
com aroma
de pétalas
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
The fish
(for a friend)
swimming in the selfish river
I cannot be more
than a drunk fish
looking for food
and someday feeding
the fisherman’s son
the water is a turbid lens
and my eyes were wrong
the sunshine
does not come
from the sun
it comes from
the shallow
river of hopes
inside of me
I threw up my best baits
but now I just cannot wait
for the silence
or forgiveness
and because of this gaping mouth
I will die as a drunk fish
anyway
swimming in the selfish river
I cannot be more
than a drunk fish
looking for food
and someday feeding
the fisherman’s son
the water is a turbid lens
and my eyes were wrong
the sunshine
does not come
from the sun
it comes from
the shallow
river of hopes
inside of me
I threw up my best baits
but now I just cannot wait
for the silence
or forgiveness
and because of this gaping mouth
I will die as a drunk fish
anyway
domingo, 16 de agosto de 2009
Agora
desejo ser
a divina incapacidade
de apego
e despedida
(desejo nenhum desejo
para flertar
com minha incapacidade)
a divina incapacidade
de apego
e despedida
(desejo nenhum desejo
para flertar
com minha incapacidade)
sábado, 15 de agosto de 2009
O chá
erva verde
diluída em água fervente
sem açúcar, por favor
em um gole
todas as forças latentes
conspiram em atrito
... expiro aquecido ...
não tem gosto de nada
mas a vista daqui é linda
diluída em água fervente
sem açúcar, por favor
em um gole
todas as forças latentes
conspiram em atrito
... expiro aquecido ...
não tem gosto de nada
mas a vista daqui é linda
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Touro
quatro cascos
em galope
sob a lama
força bruta
enguiçada de cansaço
dois chifres
que apontam ajuda
em berrante desespero
sedento
o único fôlego
se estende teimoso
em longo engasgo
- rasantes sentenciosos
sobre o brejo de taboa
em galope
sob a lama
força bruta
enguiçada de cansaço
dois chifres
que apontam ajuda
em berrante desespero
sedento
o único fôlego
se estende teimoso
em longo engasgo
- rasantes sentenciosos
sobre o brejo de taboa
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Terno e gravata
(ou Escatologia barata)
pela ausência de lógica
que se descobre no exame
das necessidades
é menos obrigatório
comer
do que fazer
uma merda como esta!
pela ausência de lógica
que se descobre no exame
das necessidades
é menos obrigatório
comer
do que fazer
uma merda como esta!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Ambiente familiar
à entrada
cerveja no copo
e carne mal-passada
- lembra-me até lugar
mais sórdido,
mas as tias
sentadas à mesa
com a madrasta
e toda essa molecada
que não para quieta
em desejo pecaminoso
ao redor de um bolo
meio murcho
- olho gordo
das cunhadas,
tudo me diz
que estou em família
e longe de casa
cerveja no copo
e carne mal-passada
- lembra-me até lugar
mais sórdido,
mas as tias
sentadas à mesa
com a madrasta
e toda essa molecada
que não para quieta
em desejo pecaminoso
ao redor de um bolo
meio murcho
- olho gordo
das cunhadas,
tudo me diz
que estou em família
e longe de casa
sábado, 8 de agosto de 2009
Quando a noite começa
não se sabe bem o quê
ou sei lá
qualquer coisa
que essa que anda
quando a noite começa
mas de longe se escuta a seresta
em num raio abrangente
que se conta em horas
o importante é
o que mais eles cantam e batem
que no pé da minha nuca
se conhece em pulsadas
exatas coordenadas
que apontam
para mim
ou sei lá
qualquer coisa
que essa que anda
quando a noite começa
mas de longe se escuta a seresta
em num raio abrangente
que se conta em horas
o importante é
o que mais eles cantam e batem
que no pé da minha nuca
se conhece em pulsadas
exatas coordenadas
que apontam
para mim
Impedir a manhã
estanque a brisa
feche as janelas
não deixe nada passar
na trincheira do escombro
não faça diferença
dum dia da vida
ou do que caiu
debaixo da cama
um tempo atrás
que te importa o sucesso
a promessa de regresso
e o preço do ingresso
pra qualquer outro canto
que não seja esse mesmo
de onde agora te peço?
feche as janelas
não deixe nada passar
na trincheira do escombro
não faça diferença
dum dia da vida
ou do que caiu
debaixo da cama
um tempo atrás
que te importa o sucesso
a promessa de regresso
e o preço do ingresso
pra qualquer outro canto
que não seja esse mesmo
de onde agora te peço?
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
No segundo toque
enquanto dorme
por ter que vir
o próximo
momento
não é possível
imaginar
o tamanho
de sua presença
uma benção
diria
porque o perigo
está no que dá
tanto sono
que bem
poderia
acordar
agora
por ter que vir
o próximo
momento
não é possível
imaginar
o tamanho
de sua presença
uma benção
diria
porque o perigo
está no que dá
tanto sono
que bem
poderia
acordar
agora
domingo, 2 de agosto de 2009
Ego
dentro de uma caixa
que flutuava pelo mar
e se espatifou
pelas rochas
havia um ego
náufrago
que então repousa
da tempestade
enquanto observa
o colorido dos peixes
que o devoram
que flutuava pelo mar
e se espatifou
pelas rochas
havia um ego
náufrago
que então repousa
da tempestade
enquanto observa
o colorido dos peixes
que o devoram
sábado, 1 de agosto de 2009
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