Arquivo pretensiosinho

sexta-feira, 18 de maio de 2012

bate tecla feito pistola suicida gotas pareadas alternam rajadas vezes mais largas resta o corpo só movimento teso derradeiro dedo clama um baque o medo pende e cai de estilhaço morto

sexta-feira, 20 de abril de 2012

admiro o raio
porque ofusca
esfuma o contrário
da luz escurece

segunda-feira, 9 de abril de 2012

me perguntaram outro dia
sobre certos esboços;

sabia que o coração
que a gente desenha
não é igual ao que
a gente tem?

sábado, 7 de abril de 2012

canoa

se bem saiba
o rio seja um símbolo
sigo eu remando o mito

a filha de Rá

hoje ainda acordei contigo
hoje mesmo tinha eu
em ti clareza

o sol contudo, viu tudo
e num raio de ciúme,
fez o giro de tua saia
rodopiar num minuto
pra longe além de montes
de seis horas e que eu
não te tocasse mais
senão em todos os sonhos
até os que desejo

e que fazer se não se muda
o ciclo solar, a terra e a lua,
a sombra dos postes
e o mecanismo da grua?

caem-me as pálpebras
como sementes das mãos
a quem falta uma perna

segunda-feira, 26 de março de 2012

orografia

por só te querer bem
corro ainda mais risco

se a mão se esvai
nessas vias de mãos duplas
como silvos de areia,
o peito em despeito
retumba feito o tombo
de um cisco tímido
na marola

olho adiante, a serra
me encerra em mim

e se vou pro verso
de meu querer o rastro
vermelho dos faróis
bem poderia ser gotas
de meu exagero
mas meus óculos embaçam
mesmo é de chuva

e se ajeito o acento
as encostas rangem
e me tomam num rugido raro
como se uma luz rajasse
em meu ouvido

o eco soa infinito

terça-feira, 13 de março de 2012

adivinha

sem sair do lugar
levo a vida a correr
a morrer todo tempo
sem cessar de nascer

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

meus olhos cerrados
inverso do corpo

e se tudo assim dissesse
dizer, que bastaria?

a cama e o quarto
se bastavam

catava moscas
em coçadas e sopapos

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

filho

hoje uso sua barba
e se a língua é distante
pelo menos o sorriso
também herdei

meu molde
é sua forma
mais esticada
pelo tempo

os pés entretanto
são meus mesmo
e sua a mão que segurei
pra andar

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

num clarão de ideias
irrompe a luz pelo cômodo
e a impressão de infinito
dissolve-se nos esquadros
até a mancha de tinta
dispersa no tampo da mesa